A Anthropic lançou o Claude Fable 5.1, nova geração de seu modelo de inteligência artificial voltado para programação, pesquisa e tarefas profissionais de longa duração. O modelo chega com ganhos expressivos de desempenho sobre o Fable 5, além de mudanças em preço, privacidade e mecanismos de segurança.
A atualização também acompanha o Claude Mythos 5.1, tecnicamente baseado no mesmo modelo, mas com proteções mais permissivas para pesquisadores e profissionais previamente aprovados nas áreas de cibersegurança e ciências da vida. O Fable 5.1 já está disponível de forma geral, enquanto o Mythos 5.1 possui acesso restrito.
O Fable 5.1 apresentou avanços em diferentes testes de desempenho. No Terminal-Bench-Science 0.1, voltado para pesquisa científica com agentes, o modelo alcançou 52,6%, contra 24,7% do Fable 5.
No Terminal-Bench 4.0, que mede tarefas de programação executadas de forma autônoma, o Fable 5.1 registrou 55,8%, enquanto o Mythos 5.1 chegou a 60,9%. O Fable 5 obteve 42% no mesmo teste.
Os ganhos também aparecem em tarefas corporativas. No AutomationBench, o resultado subiu de 17,1% no Fable 5 para 31,4% na nova versão. Já no CursorBench 3.2.0, focado em desenvolvimento de software, a pontuação chegou a 73,4%.
A Anthropic também destaca melhorias em atividades longas e de várias etapas. Durante testes feitos pela Millennium, por exemplo, o modelo identificou a causa de uma falha rara em um sistema interno que engenheiros e outros modelos não haviam conseguido explicar durante anos.
Uma das principais áreas de avanço do Fable 5.1 e do Mythos 5.1 é a pesquisa científica.
Em um experimento de análise computacional, o Fable 5.1 treinou uma rede neural para produzir um novo mapa de elevação de aproximadamente um terço de Vênus a partir de dados de radar da missão Magellan, da NASA. O resultado aumentou a resolução dos detalhes de cerca de 10 a 20 quilômetros para dois a três quilômetros, além de melhorar em até 25% a precisão das estimativas de altitude.
O Mythos 5.1 também foi testado no desenvolvimento de proteínas capazes de se ligar a alvos biológicos. Em três alvos, os projetos apresentaram afinidades dez vezes maiores que as melhores soluções apresentadas em competições da Adaptyv Bio. Considerando 12 alvos, quase metade dos projetos gerados funcionou como ligantes viáveis.
Outra aplicação envolveu a otimização de sete modelos de aprendizado profundo usados em genômica e proteínas. Com kernels personalizados para GPUs e reaproveitamento de resultados intermediários, o Mythos 5.1 conseguiu acelerar algumas cargas em até 2,5 vezes, com economia estimada de 30% a 60% nos custos de GPU em determinadas análises.
A Anthropic também alterou os mecanismos de proteção após críticas relacionadas a falsos positivos no Fable 5.
Na área de cibersegurança, os novos filtros devem realizar cerca de 60% menos intervenções durante sessões do Claude Code. O Fable 5.1 também passa a permitir a identificação de vulnerabilidades de software para atividades defensivas, embora tarefas como geração de exploits e determinados testes de invasão continuem restritas.
Em biologia e questões médicas básicas, os sistemas de proteção passaram a ser acionados 85% menos vezes para solicitações consideradas benignas em comparação com as proteções originalmente lançadas com o Fable 5.
O Mythos 5.1 amplia essas capacidades para profissionais verificados. Seu acesso ocorre por programas específicos para cibersegurança e ciências da vida, mantendo outras proteções do sistema.
Outra mudança está no custo. As leituras de cache — quando o modelo reutiliza informações já processadas anteriormente — ficaram 75% mais baratas e passam a custar US$ 0,25 por milhão de tokens.
Com isso, a estimativa é de redução de aproximadamente 25% no custo de cargas de trabalho típicas em relação ao Fable 5. Em tarefas complexas de programação e operações intensivas com agentes, a economia pode chegar a cerca de 45%.
Os demais preços permanecem iguais: US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de tokens de saída.
Clientes corporativos também receberão um novo sistema chamado Enterprise Frontier Safeguards, ou EFS.
A tecnologia mantém os dados utilizados pelos sistemas de proteção dentro da infraestrutura de nuvem controlada pelo próprio cliente, em vez de armazená-los nos sistemas da Anthropic. A proposta é combinar mecanismos de detecção de uso indevido com uma política equivalente à retenção zero de dados.
A implantação será feita em etapas a partir do segundo semestre de 2026. Até que o sistema esteja disponível, clientes elegíveis poderão utilizar o Fable 5.1 com retenção zero de dados.
O lançamento amplia a competição entre modelos de fronteira principalmente em áreas que começam a ganhar importância além dos chatbots tradicionais: agentes capazes de trabalhar por horas, programação autônoma, investigação científica e execução de tarefas corporativas complexas.
Os resultados apresentados indicam que a evolução não está concentrada apenas em alcançar pontuações maiores em testes. A Anthropic também tenta reduzir dois obstáculos práticos para a adoção desses sistemas: custo operacional e excesso de bloqueios em solicitações legítimas.
Ao mesmo tempo, a criação do Mythos 5.1 mostra uma estratégia de separar modelos de uso geral de versões com capacidades mais sensíveis liberadas apenas para grupos verificados. Esse modelo de acesso pode se tornar cada vez mais relevante conforme sistemas de IA ganham capacidade para atuar diretamente em pesquisa científica, desenvolvimento de software e cibersegurança.