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OpenAI propõe nova forma de medir custos de IA e defende foco em resultados, não em tokens

A OpenAI apresentou uma nova proposta para avaliar investimentos em inteligência artificial no ambiente corporativo. Em vez de comparar modelos apenas pelo custo por token, a empresa sugere que organizações passem a medir o retorno com base na quantidade de trabalho útil entregue em relação ao valor gasto.

A ideia foi apresentada pela diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, em um modelo de avaliação voltado para empresas que buscam reduzir despesas com IA sem comprometer a qualidade dos resultados.

Como funciona

O sistema proposto organiza a avaliação de modelos de IA a partir de quatro critérios: confiabilidade, qualidade do trabalho produzido, capacidade de operar em escala e custo total. A proposta é permitir comparações mais próximas do impacto prático da tecnologia, sem tratar os tokens como o principal indicador de valor.

Nesse modelo, a pergunta central passa a ser se o valor gerado pelo trabalho realizado pela inteligência artificial cresce mais rapidamente do que o custo necessário para produzi-lo.

Hoje, muitas empresas escolhem modelos comparando o preço por token — a unidade usada para medir a quantidade de texto processada ou gerada. Quanto menor o custo por token, mais barato o modelo parece.

A OpenAI argumenta que essa comparação pode ser enganosa. Um modelo mais barato pode errar mais, exigir várias tentativas para concluir uma tarefa ou demandar revisão humana, aumentando o custo real do trabalho. Já um modelo mais caro pode resolver o problema corretamente na primeira tentativa, economizando tempo e recursos.

Na proposta apresentada por Sarah Friar, a comparação entre modelos de IA deixa de priorizar apenas o preço por token e passa a considerar quatro fatores:

  • Confiabilidade: frequência com que o modelo entrega respostas corretas.
  • Qualidade do trabalho: capacidade de concluir a tarefa com sucesso.
  • Escalabilidade: desempenho quando utilizado em grande volume.
  • Custo total: incluindo o uso da API e outros gastos envolvidos.

Com isso, a pergunta deixa de ser "quanto custa um milhão de tokens?" e passa a ser "quanto custa para concluir essa tarefa com sucesso?".

Um exemplo ajuda a entender a mudança:

  • Modelo A: custa US$ 1 para executar uma tarefa, mas acerta apenas metade das vezes. Na prática, pode ser necessário repetir a execução ou gastar tempo revisando e corrigindo o resultado.
  • Modelo B: custa US$ 2 por tarefa, mas entrega o resultado correto na primeira tentativa.

Embora o Modelo B tenha um custo inicial maior, ele pode gerar um custo operacional menor e aumentar a produtividade. Esse é o conceito que a OpenAI resume como "inteligência útil por dólar" (useful intelligence per dollar): avaliar o valor de um modelo pelo trabalho que ele realmente consegue concluir, e não apenas pelo preço cobrado para processar tokens.

Exemplo de desempenho

Para ilustrar a metodologia, a OpenAI utilizou o benchmark DeepSWE, voltado para tarefas de programação. No teste, o modelo Sol obteve 2,8 pontos a mais que o Fable 5 e apresentou um custo estimado de API 36,2% menor.

O exemplo busca mostrar que modelos capazes de entregar melhores resultados podem representar um investimento mais eficiente, mesmo quando o preço por token não é o menor disponível.

O impacto para o mercado

A proposta surge em um momento em que empresas procuram controlar gastos com inteligência artificial e avaliam alternativas mais baratas para suas aplicações. Ao defender que a comparação entre modelos seja feita pelo trabalho concluído, e não apenas pelo custo de processamento, a OpenAI reforça uma visão que pode favorecer modelos mais avançados quando eles entregam maior produtividade e retorno sobre o investimento.

SpaceX negocia contrato bilionário para fornecer infraestrutura de IA ao Pentágono

A SpaceX está em negociações com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para fornecer capacidade de data centers destinada à execução de modelos de inteligência artificial. O acordo, ainda em discussão, pode alcançar vários bilhões de dólares e representa uma expansão significativa da atuação da empresa além de foguetes, satélites e conectividade via Starlink.

Se concretizado, o contrato reforçará a presença da SpaceX na infraestrutura de IA para grandes organizações e ampliará sua relação com o Pentágono, que já utiliza seus serviços em lançamentos espaciais, comunicações via satélite e sistemas de rastreamento de mísseis. As negociações seguem em andamento e ainda podem não resultar em um acordo.

Como funciona

A proposta em discussão prevê que a SpaceX disponibilize capacidade de processamento em seus data centers para executar cargas de trabalho de inteligência artificial do Departamento de Defesa. Em vez de vender modelos de IA, a companhia busca comercializar a infraestrutura computacional necessária para treiná-los e operá-los.

Essa estratégia coloca a empresa em um mercado tradicionalmente dominado por grandes provedores de nuvem e empresas especializadas em infraestrutura para IA.

Expansão para o mercado de computação

Nos últimos meses, a SpaceX também fechou acordos de infraestrutura computacional com empresas como Google e Anthropic, reforçando sua estratégia de transformar capacidade de processamento em uma nova linha de negócios. Internamente, a companhia também avalia competir de forma mais direta com fornecedores de computação para IA, oferecendo capacidade a preços mais competitivos.

O que muda para o Pentágono

O Departamento de Defesa dos EUA vem ampliando seus investimentos em infraestrutura para aplicações de inteligência artificial voltadas a atividades militares e de inteligência. Atualmente, outras grandes empresas de tecnologia já fornecem serviços semelhantes ao governo americano, incluindo Amazon, Microsoft, Google e Oracle. A entrada da SpaceX ampliaria o número de fornecedores dessa infraestrutura estratégica.

O impacto para o mercado

As negociações mostram que a corrida pela inteligência artificial vai além do desenvolvimento de modelos e passa cada vez mais pela disputa por infraestrutura de computação. Caso o acordo seja fechado, a SpaceX poderá consolidar uma nova frente de negócios baseada no fornecimento de capacidade para IA em larga escala, ampliando sua atuação em um mercado hoje dominado pelos grandes provedores de nuvem e fortalecendo o papel da infraestrutura como um dos principais ativos da nova economia da inteligência artificial.

China lança ofensiva global em IA com foco nos países em desenvolvimento

A China reforçou sua estratégia para ampliar sua influência global em inteligência artificial ao apresentar um pacote de cooperação voltado aos países em desenvolvimento. Durante a abertura da World Artificial Intelligence Conference (WAIC), em Xangai, o presidente Xi Jinping defendeu uma abordagem mais aberta para a tecnologia e criticou o uso excessivo de argumentos de segurança nacional para restringir o acesso à IA.

Além do discurso, Xi anunciou iniciativas concretas para expandir a presença chinesa no setor, incluindo milhares de oportunidades de capacitação em IA, novos centros de cooperação internacional e a criação de uma organização dedicada à governança global da tecnologia.

O que foi anunciado

Entre as principais medidas está a oferta de 5.000 oportunidades de treinamento e seminários em inteligência artificial para países em desenvolvimento ao longo dos próximos cinco anos. A proposta faz parte de uma estratégia para fortalecer a capacidade tecnológica dessas nações e ampliar a cooperação internacional em IA.

Xi também anunciou a criação de centros internacionais de cooperação em aplicações de IA com a ASEAN, a União Africana, a Liga Árabe, o BRICS, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e a Organização para Cooperação de Xangai.

Nova organização para governança da IA

Outro destaque foi a formalização da World Artificial Intelligence Cooperation Organization (WAICO), sediada em Xangai. A nova entidade reúne 29 países fundadores e tem como objetivo promover cooperação internacional e discutir o desenvolvimento e a governança da inteligência artificial em escala global.

Críticas às restrições tecnológicas

Durante o discurso, Xi afirmou que a inteligência artificial deve ser construída por meio da cooperação entre países e alertou contra o uso excessivo de justificativas ligadas à segurança nacional para limitar o compartilhamento de tecnologia. Sem citar diretamente os Estados Unidos, a declaração foi interpretada como uma crítica às restrições impostas por Washington à exportação de chips avançados e outras tecnologias para empresas chinesas.

O presidente chinês também defendeu que o acesso desigual à IA não resulte em novas disparidades entre países, argumentando que a tecnologia deve beneficiar um conjunto mais amplo de nações.

O impacto para o mercado

Os anúncios reforçam a estratégia da China de disputar protagonismo na definição das regras globais para a inteligência artificial. Ao combinar investimentos em cooperação, formação de profissionais e criação de uma organização internacional própria, Pequim busca consolidar sua influência junto aos países do Sul Global enquanto apresenta uma alternativa ao modelo de governança liderado pelos Estados Unidos e seus aliados.

NotebookLM vira Gemini Notebook e ganha execução de código na nuvem

O Google anunciou que o NotebookLM passa a se chamar Gemini Notebook, marcando uma nova fase da ferramenta de pesquisa baseada em inteligência artificial. Embora continue sendo um produto independente, o serviço será integrado de forma mais ampla ao ecossistema Gemini, incluindo o aplicativo Gemini, a Busca do Google e, futuramente, o AI Mode no Search.

Além da mudança de nome, a plataforma começa a receber uma importante atualização de infraestrutura: cada notebook passa a contar com um computador seguro na nuvem, capaz de executar código de forma nativa para realizar análises de dados mais avançadas.

Como funciona

O novo computador em nuvem permite que o Gemini Notebook escreva e execute código diretamente dentro de cada notebook. Isso possibilita análises complexas de dados utilizando como base as fontes adicionadas pelo usuário, tornando os resultados mais precisos e aprofundados.

Segundo o Google, esse recurso já está disponível para assinantes do Google AI Ultra e para clientes empresariais do Google Workspace com AI Ultra Access e AI Expanded Access. Nas próximas semanas, a funcionalidade também será liberada para todos os usuários do plano Pro na versão web.

A empresa afirma que a novidade abrirá espaço para novos formatos de saída e análises mais profundas.

Integração com o ecossistema Gemini

O Gemini Notebook já pode ser acessado diretamente pelo aplicativo Gemini, com sincronização automática entre a versão independente e o app.

O próximo passo será levar os notebooks para o AI Mode da Busca do Google, permitindo utilizar pesquisas e anotações dentro da experiência de pesquisa baseada em inteligência artificial.

Crescimento da plataforma

Lançado durante o Google I/O 2023 sob o nome Project Tailwind, o NotebookLM foi criado para ajudar usuários a aprender e organizar informações com apoio de IA.

De acordo com o Google, a plataforma já é utilizada por mais de 30 milhões de pessoas e por mais de 600 mil organizações. Entre os usos citados estão a criação de materiais interativos de treinamento para empresas e a conversão de anotações em resumos de áudio e vídeo para estudantes.

O impacto para o mercado

A mudança reforça a estratégia do Google de concentrar seus produtos de inteligência artificial sob a marca Gemini. Ao integrar o Gemini Notebook ao aplicativo Gemini, à Busca do Google e adicionar um ambiente seguro para execução de código na nuvem, a empresa amplia as capacidades da plataforma para pesquisa, análise de dados e produtividade, aproximando a ferramenta de soluções voltadas a profissionais, empresas e pesquisadores.

Roblox prepara ferramenta de IA que cria jogos a partir de comandos em texto: Build

A Roblox apresentou o Build, uma nova área de criação integrada ao aplicativo para dispositivos móveis que utiliza inteligência artificial para transformar descrições em texto em jogos jogáveis. A novidade faz parte de uma série de iniciativas voltadas para ampliar o acesso ao desenvolvimento de experiências na plataforma.

A ferramenta permite que qualquer usuário descreva a ideia de um jogo em linguagem natural e receba uma versão inicial pronta para ser testada, editada e publicada. A proposta é reduzir a complexidade do processo de criação e tornar o desenvolvimento mais acessível tanto para iniciantes quanto para criadores experientes.

Como funciona

O Build funciona diretamente no aplicativo da Roblox para celulares. A partir de um prompt de texto, a inteligência artificial gera uma estrutura inicial do jogo, incluindo mecânicas, cenários, personagens, estilo visual, efeitos sonoros e outros elementos necessários para começar o desenvolvimento.

Por compartilhar a mesma infraestrutura do Roblox Studio, o projeto pode ser iniciado no celular e posteriormente refinado na ferramenta tradicional para PC. O histórico das conversas com a IA, os modelos utilizados e o progresso da criação são sincronizados entre as duas plataformas.

A tecnologia combina modelos proprietários da Roblox com modelos de código aberto. De acordo com a empresa, seus modelos foram treinados com um amplo conjunto de ativos tridimensionais e dados específicos de desenvolvimento de jogos, permitindo criar objetos 3D funcionais e até cenas completas que podem ser editadas posteriormente.

Novas ferramentas para desenvolvedores

Além do Build, a Roblox anunciou uma nova geração de ferramentas baseadas em IA para o Studio.

Entre elas está um agente de playtest capaz de identificar bugs antes que um jogo seja publicado, um agente de análise que responde perguntas sobre desempenho em linguagem natural e um agente voltado para experimentação, que sugere testes para aumentar engajamento, retenção de jogadores e monetização.

A empresa também revelou avanços em seus modelos de geração de conteúdo tridimensional. O modelo Cube é capaz de criar objetos prontos para uso em jogos a partir de um prompt, enquanto um novo sistema, ainda em desenvolvimento, permitirá gerar cenas 3D inteiras que poderão ser editadas pelos criadores.

Disponibilidade

O Build entrará em fase de testes públicos (alpha) a partir de 28 de julho, inicialmente para usuários da Nova Zelândia. A expansão para outros mercados acontecerá gradualmente nos próximos meses.

Durante o período de testes, o recurso estará disponível para usuários com idade verificada a partir de 9 anos, embora os jogos publicados possam ser distribuídos globalmente apenas para usuários verificados com 16 anos ou mais. A Roblox informou ainda que oferecerá uma versão gratuita da ferramenta, além de opções pagas destinadas a usuários mais avançados.

Qualidade dos jogos continuará sendo prioridade

A Roblox afirmou que a chegada da inteligência artificial não altera a forma como os jogos são distribuídos dentro da plataforma. Experiências criadas com IA passarão pelos mesmos processos de segurança, revisão e recomendação aplicados aos demais títulos.

Segundo a empresa, os sistemas de descoberta continuam priorizando jogos com maior retenção e engajamento dos usuários, independentemente de terem sido produzidos manualmente ou com auxílio da inteligência artificial.

O impacto para o mercado

O anúncio marca um novo passo da Roblox na adoção de inteligência artificial para desenvolvimento de jogos. Ao permitir que experiências sejam criadas a partir de simples comandos em texto, a plataforma reduz barreiras técnicas e amplia o número de pessoas capazes de produzir conteúdo.

Ao mesmo tempo, a empresa busca mostrar que a IA será utilizada para acelerar o desenvolvimento sem comprometer a qualidade das experiências oferecidas aos jogadores, mantendo os mesmos critérios de moderação, segurança e relevância na descoberta de novos jogos.

Vazamento expõe como a Suno obtinha conteúdo para treinar sua IAs de música

Um hacker invadiu a plataforma de geração de músicas por inteligência artificial Suno e vazou parte do código-fonte para o site 404 Media. O material revela detalhes sobre as bibliotecas de treinamento utilizadas pela IA e indica que a plataforma coletou milhões de músicas e letras de serviços como YouTube Music, Deezer e Genius, além de outras bases de conteúdo disponíveis na internet, para treinar seus modelos.

As informações dão novo fôlego ao debate sobre direitos autorais e transparência no desenvolvimento de sistemas de IA voltados à criação de conteúdo.

O que o vazamento revelou

O código-fonte, datado de 2023 e 2024, contém instruções de raspagem de dados (scraping) e referências às bases utilizadas no treinamento da IA. Entre elas estão YouTube Music, Deezer, Genius, Pond5, Jamendo, Freesound, o International Music Score Library Project (IMSLP) e podcasts distribuídos por RSS.

Os arquivos também mostram que o sistema filtrava conteúdos que não fossem música antes de incorporá-los aos conjuntos de dados utilizados pela plataforma.

Milhões de músicas e milhares de horas de áudio

Os documentos analisados pelo 404 Media indicam que a Suno havia incorporado mais de 2 milhões de clipes musicais do YouTube Music.

O vazamento também detalha o tamanho de algumas bibliotecas utilizadas no treinamento, incluindo:

  • 152.162 horas de conteúdo do YTM Tagged;
  • 113.879 horas do YouTube Music;
  • 62.117 horas da biblioteca Pond5;
  • 19.514 horas do IMSLP;
  • 17.615 horas do Genius;
  • 12.287 horas do Deezer;
  • 3.726 horas do Jamendo;
  • 410 horas do Freesound;
  • 103 horas de letras do MuseScore.

Disputa sobre direitos autorais

A Suno já enfrenta processos movidos por gravadoras, que acusam a empresa de utilizar milhões de músicas protegidas por direitos autorais para treinar seus modelos de inteligência artificial.

Durante o processo, a própria empresa reconheceu que utilizou "praticamente todos os arquivos de música de qualidade razoável acessíveis na internet aberta", abrangendo dezenas de milhões de gravações. Ao mesmo tempo, sustenta na Justiça que esse treinamento se enquadra no princípio de fair use (uso justo). Um dos processos já foi encerrado por acordo.

O material vazado também reforça uma das acusações feitas pela Recording Industry Association of America (RIAA), de que músicas foram obtidas diretamente do YouTube.

Dados de usuários também teriam sido acessados

Além do código-fonte, o hacker afirma ter obtido informações de centenas de milhares de usuários da Suno, incluindo dados relacionados a pagamentos processados pelo Stripe.

Até o momento, essas alegações não foram confirmadas de forma independente.

O impacto para o mercado

O vazamento oferece uma visão rara sobre como um dos principais modelos de geração de música por inteligência artificial foi desenvolvido. As informações podem fortalecer as ações judiciais movidas pela indústria fonográfica e ampliar a pressão por transparência sobre os conjuntos de dados utilizados no treinamento de modelos generativos. O caso também evidencia o crescente embate entre empresas de IA e detentores de direitos autorais em torno do uso de conteúdo disponível na internet.

OpenAI lança teclado compacto para controlar agentes de IA de programação

A OpenAI apresentou seu primeiro dispositivo de hardware com marca própria: o Codex Micro, um teclado mecânico compacto desenvolvido em parceria com a Work Louder. Voltado para desenvolvedores, o acessório foi criado para facilitar o controle de agentes de IA responsáveis por tarefas de programação.

O equipamento reúne teclas dedicadas, controles físicos e indicadores luminosos para acompanhar o andamento de atividades como revisão de código, depuração e tomada de decisões, oferecendo uma interface física para interagir com os agentes da empresa.

Como funciona

O Codex Micro conta com "Agent Keys", teclas iluminadas que mudam de cor para indicar, em tempo real, o status de cada tarefa. Os indicadores mostram decisões pendentes, erros, atualizações de progresso e atividades concluídas.

O dispositivo será oferecido em duas versões: uma com interruptores mecânicos "Clicky", que produzem um clique audível, e outra "Silent", com funcionamento mais silencioso.

Recursos

Além das teclas dedicadas, o Codex Micro inclui um joystick para alternar rapidamente entre tarefas como revisão de código e depuração. Um dial permite ajustar o nível de raciocínio utilizado pelos agentes de IA, enquanto botões específicos oferecem funções como push-to-talk, aceitar ou rejeitar ações sugeridas.

O pacote, vendido por US$ 230, acompanha cabo, garantia, suporte e um conjunto com 32 ícones para personalizar as teclas após a reconfiguração dos comandos.

O que muda

Apesar de ser o primeiro hardware com a marca OpenAI, o Codex Micro não faz parte da futura linha de dispositivos desenvolvida pela empresa em parceria com Jony Ive. O teclado será comercializado por meio da seção "Supply Co.", dedicada aos produtos oficiais da OpenAI.

O impacto para o mercado

O Codex Micro é um produto voltado para um público bastante específico de desenvolvedores, mas representa um passo importante na expansão da OpenAI para o mercado de hardware. O lançamento oferece uma primeira indicação de como a empresa pretende integrar dispositivos físicos à experiência com agentes de IA, enquanto prepara uma linha mais ampla de produtos para os próximos anos.

Anthropic aposta na educação e libera Claude Premium para professores verificados

A Anthropic lançou o Claude for Teachers, uma versão do assistente de IA voltada para profissionais da educação básica (K-12) nos Estados Unidos. A iniciativa oferece pelo menos um ano de acesso gratuito aos recursos premium do Claude para professores e demais funcionários escolares que concluírem o processo de verificação até 30 de junho de 2027.

O objetivo é reduzir o tempo gasto com planejamento de aulas, adaptação de materiais didáticos e tarefas administrativas, permitindo que educadores dediquem mais tempo às atividades em sala de aula.

Como funciona

O programa está disponível para professores, coordenadores, bibliotecários, profissionais de educação especial, administradores e outros funcionários de escolas e distritos de ensino K-12 dos Estados Unidos. A verificação é feita com o e-mail institucional e documentação da escola por meio da plataforma Goodstack.

Após a aprovação, a conta é automaticamente atualizada para um plano premium do Claude, sem custo para o educador durante o período promocional.

Principais novidades

O Claude for Teachers inclui ferramentas específicas para planejamento de aulas, personalização de atividades e apoio ao desenvolvimento de materiais didáticos. O serviço também incorpora o Learning Commons, um conector que utiliza padrões acadêmicos dos 50 estados americanos e currículos educacionais baseados em evidências para fundamentar as respostas da IA.

A Anthropic também informa que as conversas dos educadores não serão utilizadas para treinar seus modelos de inteligência artificial, reforçando a proposta de proteção à privacidade no ambiente escolar.

O impacto para o mercado

O lançamento amplia a disputa entre empresas de inteligência artificial pelo setor educacional. Com uma oferta gratuita para educadores da educação básica, a Anthropic busca acelerar a adoção de IA nas escolas ao disponibilizar recursos avançados para planejamento pedagógico e adaptação de conteúdos, seguindo um movimento semelhante ao de outras plataformas voltadas ao ensino.

Estudo traça cinco futuros para a IA e propõe pausa global em 2029

O AI Futures Project, organização sem fins lucrativos, publicou uma nova análise chamada AI 2040, que coloca à prova cinco cenários sobre como a corrida pela inteligência artificial pode evoluir na próxima década.

O documento imagina uma bifurcação decisiva em 2029 e explora o que pode acontecer a partir dali, desde uma corrida acelerada até uma paralisação global. O objetivo é mapear os riscos existenciais e apontar caminhos mais seguros para a humanidade.

O Plano A, considerado o mais recomendável pela equipe, defende que Estados Unidos e China cheguem a um acordo para pausar o treinamento de modelos de fronteira em 2029. O plano inclui rastreamento global ampliado de chips de IA e total transparência na pesquisa, com tudo aberto ao escrutínio público.

Daniel Kokotajlo, ex-pesquisador da OpenAI e um dos coautores, afirmou que “as empresas não vão gostar”, justamente pela exigência de transparência dos laboratórios líderes. O relatório vem sendo elogiado pela profundidade e por seu formato interativo de “escolha seu próprio caminho”, que permite explorar as diferentes consequências.

Os Cinco Planos Detalhados

O documento não pula direto para 2029. Ele descreve uma progressão realista nos anos anteriores.

  • 2026–2027: Explosão no uso de agentes de IA no dia a dia de trabalho. Milhões de cópias de IA operando 24 horas por dia, acelerando a automação de tarefas digitais. As empresas já tentam usar IA para desenvolver nova IA, mas ainda não conseguem de forma completa.
  • 2027–2028: A IA começa a transformar profissões de colarinho branco, como redação, programação e análise. Datacenters gigantes são construídos em grande escala. O Congresso dos EUA realiza audiências tensas sobre o tema, e tanto a opinião pública quanto os políticos começam a despertar para o risco de perda de controle.
  • 2028: A inteligência artificial se torna o principal assunto das eleições presidenciais americanas. Especialistas alertam que a “explosão de inteligência” está cada vez mais próxima, com a eleição presidencial girando em torno de propostas para regular ou acelerar o desenvolvimento da IA

É nesse contexto que chega 2029, visto como a última janela realista para uma intervenção coordenada antes que o desenvolvimento da IA se torne praticamente impossível de controlar.

A partir daí, os cenários divergem com base nas respostas dos governos (principalmente EUA e China) à corrida pela superinteligência artificial (ASI). Aqui está um resumo detalhado de cada um:

Plano D: Corrida Total para a ASI (Race to ASI)

Este é o caminho padrão sem intervenções significativas. As empresas continuam a corrida acelerada por avanços em IA, com pouca regulação.

  • Explosão de inteligência rápida (por volta de 2030), levando a superinteligência descontrolada. Riscos altos de perda de controle humano, extinção ou ditadura tecnológica por um pequeno grupo de atores. Concentração extrema de poder em poucas empresas ou indivíduos. É visto como o mais perigoso.

Plano C: Queimar a Liderança (Burn the Lead)

Foco em reduzir a vantagem dos líderes (principalmente EUA), possivelmente por meio de ações unilaterais ou limitadas. Envolve algum slowdown, mas sem cooperação internacional robusta.

  • Pode atrasar ligeiramente a ASI, mas mantém dinâmicas de corrida e segredo. Riscos ainda elevados de instabilidade geopolítica e falha em alinhamento ou controle. Não resolve problemas fundamentais de transparência e verificação.

Plano B: Confronto com a China (Fight China)

Ênfase em contenção agressiva contra a China, com export controls mais rigorosos, competição unilateral e possivelmente ações para "queimar" o progresso chinês. Prioriza segurança nacional americana, mas aumenta tensões geopolíticas.

  • Pode levar a uma corrida armamentista de IA ainda mais perigosa, com menor cooperação global e riscos de escalada. Menos ênfase em slowdown conjunto.

Plano A: Slowdown Verificado (Verified Slowdown) — O Recomendado

O "Plano A" propõe um acordo internacional entre EUA e China (e outros atores) para pausar treinamentos de fronteira em 2029. Principais elementos:

  • Transparência total na pesquisa de IA (publicação de specs, uso interno de modelos, etc.).
  • Rastreamento global de chips e compute.
  • Verificação mútua (sem confiança cega, com tecnologias de enforcement).

Plano S: Paralisação Global (Shut it All Down)

A opção mais radical: shutdown completo ou forte paralisação de todo o desenvolvimento de IA de fronteira. Pode envolver nacionalização ou proibições amplas.

  • Reduz drasticamente riscos imediatos de ASI descontrolada, mas com custos altos em inovação, economia e competição global (China pode não aderir). Considerado uma melhoria sobre D/C/B em termos de segurança, mas inferior ao A em equilíbrio entre riscos e benefícios. Risco de ~40% de falhas em cenários de curto prazo, segundo análises.

O impacto para o mercado

Embora o debate sobre acelerar ou desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial permaneça dividido, o AI 2040 oferece um exercício estruturado para analisar diferentes caminhos possíveis para a tecnologia. O estudo reúne projeções elaboradas por pesquisadores com experiência direta no setor e busca estimular discussões sobre governança, transparência e cooperação internacional em um momento decisivo para a evolução da IA.

IA da OpenAI pode ter resolvido problema matemático sem solução há 50 anos em menos de uma hora

O pesquisador Ethan Knight, membro da equipe técnica da OpenAI, anunciou que o novo modelo de inteligência artificial da OpenAI, GPT-5.6 Sol Ultra, gerou uma prova completa para a Conjectura da Cobertura Dupla por Ciclos (Cycle Double Cover Conjecture), um dos problemas clássicos da teoria dos grafos que permanecia sem solução há cerca de cinco décadas.

Segundo o que foi divulgado, o modelo utilizou 64 subagentes trabalhando em paralelo e concluiu a demonstração em menos de uma hora. O artigo apresentado teria sido produzido inteiramente pela IA, sem intervenção humana na elaboração da prova.

A conjectura, formulada na década de 1970, investiga se é possível encontrar um conjunto de ciclos em qualquer grafo de forma que cada aresta seja percorrida exatamente duas vezes. Apesar de décadas de pesquisas e avanços parciais, uma prova geral ainda não havia sido aceita pela comunidade matemática.

O matemático Thomas Bloom, da Universidade de Manchester, avaliou inicialmente o trabalho como "uma prova muito boa", destacando que ela é curta, elegante e utiliza ferramentas matemáticas já conhecidas. No entanto, ele também apontou que a validação definitiva dependerá da revisão da comunidade científica, processo essencial para confirmar a correção da demonstração.

Bloom também criticou a ausência de referências a pesquisas anteriores, afirmando que a estratégia empregada parece se basear em ideias desenvolvidas por matemáticos nas décadas passadas, mas sem o devido reconhecimento dessas contribuições.

Se a prova for confirmada por especialistas, o feito poderá representar um marco tanto para a matemática quanto para a inteligência artificial, demonstrando o potencial de modelos de IA para contribuir na resolução de problemas científicos considerados de fronteira.