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Suno abandona modelos antigos e lança nova geração com gravadoras

A Suno lançou nesta quarta-feira (9) a geração v6 de seus modelos de inteligência artificial para criação musical, marcando uma mudança importante na estratégia da plataforma. Os novos sistemas foram desenvolvidos em parceria com nomes da indústria fonográfica, como Warner Music Group, BMG e Believe, e usam conteúdo licenciado em vez do conjunto de dados empregado nas versões anteriores.

A mudança ocorre depois de anos de disputas sobre direitos autorais envolvendo ferramentas de música por IA. A Warner chegou a processar a Suno em 2024, mas encerrou o processo em novembro de 2025 após fechar um acordo que previa justamente a criação de modelos licenciados. Universal Music Group, Sony Music e outros detentores de direitos ainda mantêm ações contra a startup.

Três modelos formam a nova geração

A família v6 chega dividida em três versões. O v6 é o modelo principal, direcionado aos assinantes Pro e Premier e pensado para oferecer maior precisão e controle sobre o resultado final.

O v6-wild, também exclusivo dos planos pagos, adota uma abordagem mais experimental. A ideia é gerar resultados menos previsíveis, misturar estilos e ajudar músicos a explorar novas direções criativas.

Já o v6-mini está disponível gratuitamente e prioriza velocidade e eficiência para transformar ideias rapidamente em músicas. Todas as versões permitem gerar faixas com até oito minutos.

Com o lançamento, as gerações anteriores serão descontinuadas e a plataforma passará a operar inteiramente sobre a família v6.

IA agora consegue editar partes específicas de uma música

Uma das principais mudanças está no nível de controle oferecido ao usuário. Em vez de gerar novamente uma faixa inteira para realizar pequenas alterações, o v6 permite modificar trechos específicos usando comandos em linguagem natural.

É possível, por exemplo, pedir para trocar apenas uma palavra da letra, alterar o estilo de um refrão ou preservar uma música enquanto uma determinada seção é refeita.

O modelo também pode combinar elementos de diferentes faixas em uma mesma solicitação, separar instrumentos, criar batidas a partir de samples e produzir músicas usando texto, áudio, imagens ou vídeos como referências.

Acordos mudam relação da Suno com gravadoras

A participação de grandes empresas do setor musical é uma das diferenças mais relevantes dessa nova fase.

Em novembro de 2025, a Warner Music Group encerrou sua disputa judicial com a Suno e anunciou uma parceria para desenvolver modelos licenciados. O acordo estabelece que artistas e compositores poderão escolher se autorizam determinados usos de nome, imagem, voz e composições em produtos de IA.

A BMG fechou uma parceria semelhante em agosto de 2026. O acordo prevê proteção dos direitos e remuneração para artistas e compositores que optarem por participar das novas experiências criadas pelas duas empresas.

Um dia antes do lançamento do v6, a Suno também anunciou uma parceria com a Believe e a TuneCore. Obras de artistas e selos participantes poderão fazer parte dos novos modelos, desde que exista autorização, com previsão de compensação aos titulares dos direitos.

Processos por direitos autorais ainda continuam

A mudança não encerra os problemas jurídicos da Suno.

A Universal Music Group e a Sony Music ainda mantêm processos relacionados ao uso de músicas protegidas por direitos autorais no treinamento dos modelos anteriores. A editora Round Hill Music também processou a startup em agosto, acusando-a de utilizar centenas de músicas sem autorização.

A controvérsia sobre os primeiros modelos da Suno também inclui acusações de que músicas disponíveis no YouTube teriam sido extraídas e utilizadas no treinamento da tecnologia.

O v6 representa justamente uma tentativa de construir uma nova geração sobre outra base jurídica e comercial, separada dos dados utilizados pelas versões anteriores.

Artistas poderão autorizar remixes e receber por isso

A próxima etapa da estratégia da Suno envolve produtos construídos diretamente ao redor de artistas.

A plataforma prepara experiências em que músicos poderão optar voluntariamente por participar e receber remuneração. A ideia é permitir novas formas de interação entre fãs e artistas, incluindo experiências musicais baseadas em seus catálogos.

Mikey Shulman, cofundador e CEO da Suno, descreveu o v6 como uma base para novos produtos capazes de abrir fontes de receita dentro do ecossistema musical.

A disputa da música por IA entra em uma nova fase

O lançamento do v6 mostra uma mudança importante no mercado de música generativa. Depois de crescerem rapidamente e enfrentarem processos por direitos autorais, plataformas de IA começam a transformar gravadoras, editoras e distribuidoras de adversárias em parceiras comerciais.

Para a Suno, isso pode reduzir parte da incerteza sobre como desenvolver futuros modelos e, ao mesmo tempo, abrir caminhos para remunerar artistas cujas obras participem dessas novas experiências.

A questão agora deixa de ser apenas se a IA pode criar músicas convincentes. O mercado começa a discutir como essas ferramentas podem usar catálogos profissionais, quem precisa autorizar esse uso e como artistas e detentores de direitos serão remunerados.